Os resultados de tanta reflexão, motivados pela quarentena mundial, começam a aparecer. E algo que vem chamando muita atenção reside sobre o novo papel do líder. Longe de termos um consenso sobre isso. Tudo ainda é recente. Mas começamos a ouvir por todos os lados um conjunto de temas que moldarão a figura dos líderes que assumirão as empresas no Novo Normal. E seu desafio não será fácil. O líder que conduzirá as pessoas no DC (Depois do Corona) terá a missão de ser Indulgente.
Ao longo dos últimos anos ouvimos que o líder precisava ser inspirador, servidor, motivador, engajador e uma diversidade de outros “DOR”. Assim, colocamos tantas pedras nas costas daqueles que, além de realizar a gestão de pessoas e negócios, precisavam fazer (muito bem feito) a gestão de si mesmos. No último episódio do Podcast Caos Corporativo, discuti com Anderson Bars e Amanda Costa a nova dúvida de mercado:
De quem é a responsabilidade de fazer a gestão emocional das pessoas durante o Covid-19?
Ainda Não chegamos a uma conclusão.
Mas parece que o papel do novo líder vem ganhando uma nova característica, que reúne alguns atributos já conhecidos e outros novos. A Indulgência parece ser uma descrição incrível para esse novo momento. Apesar do conceito religioso estar atrelado ao perdão e a capacidade de relevar os erros, a Indulgência aqui é muito mais abrangente:
O líder indulgente cria um forte compromisso com os membros da equipe, torna-se seu mentor incondicional, forma as pessoas, e desenvolve uma cumplicidade profissional de tamanha enormidade, que consegue explicar os erros e acertos do profissional, atribuindo à equipe todos os méritos da conquista coletiva.
O líder indulgente tem vínculos com a empresa e seu time, mas sua ligação com as pessoas é muito maior do que com a companhia que paga seu salário. Sua atuação e vínculo com a marca será total enquanto ela o abrigar. Mas há uma consciência maior de que sua relação é mais perene com o time do que com o empregador, já que cria uma relação de confiança absurda com seu time.
Seu vínculo com as pessoas que gerencia faz com que um determinado concorrente, que passe a notar o destaque daquele gestor, queira contratar o mesmo com sua equipe inteira. É como acontece no futebol e em outros esportes:
O Técnico recém contratado leva consigo seu preparador físico, o treinador de goleiros e toda a sua equipe técnica. Para onde o treinador for, ele levará sua equipe.
Desta forma eu te pergunto: Você está mais vinculado à empresa ou às pessoas que gerencia? A construção de um time forte, com relações fortes é mais importante do que uma provisória pessoa jurídica que lhe contrata para gerar resultados por um determinado tempo. Não defendo aqui que você se torne um sindicalista de sua equipe, apenas que tenha consciência de que:
A Pessoa Jurídica é transitória, mas as Pessoas Físicas, não.
Cito aqui algumas competências surgem para contribuir na formação do Líder Indulgente. São 3 novíssimos temas que vem surgindo nos fóruns de discussões com Gurus de diversos temas:
- CO-ELEVAÇÃO: Competência que diz respeito à mescla de 3 comportamentos do Gestor com sua equipe: Nível de Confiança Elevado + Responsabilidade Mútua + Propósito Alinhado. O líder cresce com a equipe e vice-versa. Trata-se de um órgão único, indissolúvel. Pelo fato de estarmos à distância nesta quarentena é impossível seguir as complexas cadeias de comando para fazer a atividade corporativa fluir. Assim, líder e equipe pensam como um cérebro só, atuam de forma separada mas alinhada. Para entender mais sobre isso acompanhe Keith Ferrazzi em seu livro Leading Withou Authority (2020);
- VISÃO PESSOAL: Empresas têm sua própria Visão, mas qual a sua Visão Pessoal como líder? Chegou a hora de deixar claro o seu verdadeiro propósito enquanto gestor, o que significa ter a sua própria declaração de propósito. Já pensou em escrever o seu próprio manifesto profissional? Um texto com palavras que definam em que você acredita, a contribuição que pode dar e o que deseja deixar como legado. A Visão Pessoal é o DNA do líder e precisa ser conhecido por sua equipe. A tratei aqui como uma competência pois nem todos sabem traduzir em palavras essa ambição. Se quiser saber mais sobre isso, siga Ken Blanchard em seu livro Servant Leader in Action.
- DIGITAL BODY LANGUAGE: Esta nova competência molda o Gestor Indulgente, que faz a leitura de seu time mesmo não contando com os requisitos visuais da presença física. Por meio de uma cumplicidade única, o gestor sabe mapear o momento de vida pessoal e profissional de seu time, conseguindo direcionar a energia específica para fazer com que cada um de seus colaboradores tenham a sensação de proximidade, e a motivação inerente para gerar valor (que não necessariamente seja valor financeiro). Não deixe de ler Erica Dhawn para entender esse conceito em seu best seller Get Big Things Done.
O líder indulgente reúne características que mostram que, muito mais do que um Líder condutor das atividades laborais, ele(a) é um ser humano que deixa mensagens inesquecíveis nas equipes que gerencia. Empresas passarão a contratar times inteiros liderados pelos Indulgentes, pois sabem da força que representam e do legado que deixarão por onde passar.
O Covid-19 também está trazendo lições e mudanças positivas importantes.
Alberto Roitman é uma alma confinada, mas livre. Autor do livro: Você é o que Você Entrega! e A Última Chance.
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