
1. Posso usar o pronunciamento CPC 01 para os estoques e ativos recebidos através de contratos de concessão?
Não. Para esses itens deve ser aplicado o CPC correspondente.
2. A DRE pode ser um indicador de possível perda por desvalorização dos ativos? Favor comentar.
Sim. Uma empresa que mostre prejuízo pode ser um indicativo de que os ativos não estão gerando caixa. Eu disse pode ser um indicativo e não que não estejam efetivamente estão gerando caixa. A DRE mostra a posição econômica, que mistura caixa e extra caixa. A geração de caixa é evidenciada no fluxo de caixa.
3. No cálculo do valor em uso posso trabalhar com um período de 10 anos?
Sim, a regra geral é 5 anos mas pode ser usado um período maior desde que devidamente justificado. Só temos que ter cuidado, pois quando mais longo o período, menor é o valor presente correspondente.
4. Você pode nos brindar com exemplos de UGC?
Uma conhecida fábrica de cervejas pode ter a unidade geradora de caixa de refrigerantes e a UGC de cervejas; no caso de uma rede de supermercados cada loja pode ser uma UGC.
5. Não é recomendável que a entidade controle o resultado do exercício (ou do trimestre) separado por UGC? Esse controle facilitaria a aplicação do CPC 01?
Sim. É excelente este controle sobre o ponto de vista gerencial, o qual funciona como indicativo objetivo para a análise de impairment do CPC 01 e também para análise e decisão dos stakeholders.
6. Você pode comentar o que vem a ser uma UGC não associada às atividades externas da empresa?
Como exemplo podemos citar quando uma investidora têm investimento numa investida, a qual é uma UGC independente da investidora.
7. Como procedemos contabilmente quando reconhecemos perdas relacionadas a um ativo reavaliado?
Primeiramente a perda é debitada à reserva de reavaliação. Em havendo sobra de valor esse excedente é debitado no resultado do período.
8. Há algum efeito no cálculo da depreciação no caso de um ativo que tenha sido objeto de provisão para perda?
Sim. A depreciação deve incidir, de forma prospectiva, sobre o valor contábil residual, ou seja, diminuído da provisão para perdas. A depreciação também deve considerar o novo prazo de vida útil econômica, caso o mesmo tenha sido alterado.
9. A provisão para perdas pode ser revertida? Se sim, em que situação?
Sim. Exceto para o goodwil e ativos de vida útil indefinida.
10. O reconhecimento da provisão para perdas afeta o disposto no CPC-32 – Tributação sobre o lucro? Favor comentar.
Sim. A provisão para perdas é uma diferença temporária, devendo, portanto, serem observados os conceitos do CPC 32.
11. Posso considerar como complexa a análise da redução ao valor recuperável no caso de uma empresa multinacional com operações em vários países?
Sem dúvida . Nunca perdendo de vista a materialidade, há que se aplicar os mesmos critérios do CPC 01 para as UGCs localizadas em outros países.
12. Um ativo intangível com vida útil indefinida e o goodwill devem ser testado por impairment? Se sim, com que periodicidade?
Sim, obrigatoriamente pelo menos na data em que as demonstrações contabeis anuais são elaboradas.
13. Você pode nos dar o exemplo de um ativo intangível ainda não disponível para uso?
Pode ser uma marca, patente, um direito de concessão adquirido e ainda não implementado operacionalmente, etc….
14. Como as variações das taxas de juro do mercado podem afetar o valor recuperável do ativo?
Em havendo aumento nas taxas de juros essas quando aplicadas ao processo de desconto do fluxo de caixa, podem resultar na redução do valor recuperável do ativo.
15. Você pode nos brindar explicando qual a importância de considerarmos a “materialidade” no cálculo do impairment?
Sim. A materialidade é uma convenção contábil muito importante. É uma questão de julgamento!!. Ela nos indica que devemos sempre analisar a relação do custo x benefício ao adotarmos qualquer procedimento, principalmente contábil. Por exemplo. Teria sentido eu contratar várias pessoas para pesquisar diferenças de alguns reais ou centavos no controle do ativo imobilizado ou do contas a receber, cuja análise pode levar dias ou meses? Comparemos o custo x o benefício. Mas como disse é uma questão crítica de julgamento, pois diferença de centavos numa conciliação bancária pode representar créditos e débitos de milhões não contabilizados, por se compensarem!!!!! Outro exemplo. Num teste de impairment do ativo fixo, faz sentido gastarmos tempo ($$$) se as condições econômicas não se deterioraram entre os períodos e o valor líquido de venda no ano anterior era muito superior ao valor contábil?
Portanto, é uma questão de julgamento, de análise do custo x benefício.
16. Creio que devemos ter cuidado entre as definições do que vem a ser valor de mercado e valor justo de mercado. Entendo que não são a mesma coisa. O que você pensa?
Lembro que há algum tempo atrás os EUA enfatizavam bastante a diferença entre esses conceitos.
Valor de mercado (Market Value) é o valor que o vendedor entende que vale o seu ativo – Exemplo: meu apto é muito bom. Como paguei $1milhão há 3 anos atrás e gastei outro $milhão com reformas e melhorias, eu estou pedindo $2,800 milhões para vendê-lo hoje. A pergunta que fica é: será que o mercado paga isso????
Valor justo de mercado – (Fair Market Value) – é o valor que efetivamente o mercado está pagando hoje pelo referido imóvel, independentemente de quanto eu paguei e já gastei com ele. Pode ser que o mercado esteja disposto a pagar $1,3 milhões, por exemplo. Por isso é que a literatura contábil mundial se refere hoje ao valor justo de mercado.