
Na vida profissional, é importante eleger um plano A e se dedicar de verdade a ele.
Passamos praticamente um mês admirados com o desempenho de tantos atletas nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Sempre gosto de trazer o esporte nas minhas reflexões profissionais, não apenas por adorar várias modalidades, mas por ser um contexto que envolve pessoas que me inspiram muito.
E fiquei pensando em como assistimos a vários exemplos de gente que precisou falar muitos “nãos” nessa vida – muito, mas muito mais complexos do que passar o happy hour da sexta-feira. São profissionais que precisaram fazer a escolha de focar em um grande projeto.
Então, eu pergunto: no início do dia, quantos itens importantes há na sua agenda? E você consegue terminar o expediente com todos eles cumpridos ou vai incluindo mais tarefas que surgem ao longo das horas? É muito comum que muitos de nós acabem indo para a segunda opção, não acha?
Como o que fazemos no dia a dia reflete exatamente na forma como vivemos a nossa vida, esse hábito de querer “abraçar o mundo” todos os dias também vai engolindo a nossa carreira ao longo dos anos.
É por isso que dizer “não” é um caminho libertador para focar nos grandes projetos.
Isto é, muitos de nós têm vários planos para percorrer na carreira, mas nem todos conseguem se desenvolver verdadeiramente em algum deles. É ilusório achar que achar que conseguimos executar tudo de uma vez. Não há produtividade que sobreviva a isso.
Como as pessoas evitam o “não”
A grande questão é que somos seres que buscam a construção de vínculo e, por isso, a nossa tendência é evitar ao máximo a geração de conflito. Entendemos o “não” como uma barreira em nossos relacionamentos, algo que irá desagradar o outro e, consequentemente, gerar distância na relação.
Existem estudos que mostram que muita gente aceita fazer coisas que as desagradam – ou até ilegais – apenas para evitar o desconforto de dizer “não”. Ainda que seja possível entender esse comportamento, eu sinto que isso diz muito sobre a falta de conhecimento sobre as próprias necessidades, vontades e valores.
Mas há também outro lado nessa história, que é quando nós mesmos dizemos “sim” para todos os nossos planos – ou seja, evitar dizer vários “nãos” para outros projetos.
Nessa síndrome de super-herói, algumas pessoas encaram tudo de uma só vez por terem uma dificuldade enorme de fazer uma escolha e se dedicar a ela.
Tenha seu plano A bem definido
Considero que, muitas vezes, a parte mais difícil é tomar uma decisão profissional séria – até escrevi sobre isso aqui – e seguir em frente com isso. Por vezes, temos opções demais, caminhos e possibilidades diferentes.
Os primeiros “nãos” surgem nesse processo de escolha. Isso eu admiro muito nos atletas profissionais e gosto de fazer um paralelo com a vida corporativa. Quando a gente consegue finalmente decidir qual será o “sim”, ótimo, esse é o plano A e o que deverá consumir o nosso principal foco, o nosso “rumo” da vida.
Porém, muitos de nós gostam de levar também os “planos B, C e D” em paralelo, e é realmente válido termos atividades complementares.
Podemos e devemos assumir diversos planos, mas, no cerne de nossa vida profissional, é importante escolher um caminho e acelerar com todas as forças nele.
Se temos o plano A, ainda que tenhamos medo de que algo dê errado, pior mesmo é não tentar com a plena carga. Ou seja, aqui já deve estar mais claro que, para nos desenvolvermos no principal objetivo profissional, outras áreas inevitavelmente vão precisar receber o “não”.
Tenha projetos, mas tenha paciência também
Quando os demais projetos acabam tomando uma porção significativa de nossa energia e tempo, fatalmente o plano A irá sofrer com isso e, no fim das contas, não ficaremos REALMENTE bons em nada.
Ao dizer “sim”, apenas para continuarmos bem com o outro ou por acreditar que dá para “abraçar o mundo”, ignoramos a autorresponsabilidade que temos com a nossa vida. Às vezes sem perceber, acabamos simplesmente atolados de tarefas que não vão nos levar aos nossos objetivos e, assim, a vida acumula frustrações.
Para ter foco de verdade, teremos que deixar bons projetos para trás ou ao menos adiá-los. É por isso que precisamos de paciência e consistência. Um passo de cada vez, cada conquista em seu momento.
Que fique claro, não estou dizendo que não devemos testar e ter projetos paralelos. Acredito, sim, que são benéficos, em sua medida. O que estou salientando é que o seu projeto principal avançará mais rápido, se você concentrar sua energia nele, de forma certa.
Se tudo é prioridade, nada é prioridade
E, assim, profissionais de verdade – sejam eles atletas ou não – sempre vão nos inspirar pela habilidade de dar tempo ao tempo e, claro, de conseguir focar e lutar para alcançar um grande objetivo.
Marcelo Miranda, CEO da Consolis Tecnyconta na Espanha, filial espanhola do grupo multinacional francês Consolis.
Fonte: administradores.com
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