É interessante ver como determinados líderes de verdade vêm reagindo a essa crise. Alguns deles mobilizaram suas equipes, deixaram claro suas fragilidades, propuseram mudanças e angariaram ajuda por todos os lados. Envolveram suas equipes e criaram uma aura de coragem onde todos estão no mesmo barco. A equipe se sente um único órgão, vibrante, pujante e confiante. Admiram ainda mais seu comandante. Sabem que ele não é perfeito, mas é o símbolo da resistência. A equipe então, luta muito menos pela empresa, e passa a lutar muito mais por seu mentor.
Líderes admiráveis resistem à qualquer crise. Esses, de fato, são os líderes extraordinários.
Porém, existem os líderes patéticos. Aqueles que demitem seus soldados já no primeiro mês de crise, e ainda assim acham que estão tomando decisões difíceis do auge de sua arrogância e prepotência. Líderes de verdade caem em pé, naufragam com seus marinheiros, ou os colocam em um bote para que saiam salvos da tormenta. Mas o líder patético prefere preservar a verba dos jantares nababescos do que cortar as luxúrias de suas “egocentrices” bizarras, de seus safáris medonhos, de suas festas regadas a flores ornamentais. O aspecto sereno de quem parece ter o controle de tudo (mas não tem) jamais será substituído pela camuflagem de guerra de um general que deixa seu posto de comando para atirar ao lado de seus artilheiros. Ao contrário disso, rifa seus peões para preservar sua enoteca.
Líderes extraordinários fazem de tudo antes de assinarem a sentença de demissão de seu time. E seus próprios colaboradores entendem que ele extrai o seu máximo, chegando até ao esgotamento, antes da situação extrema. Porém, os chefes covardes, sequer têm coragem de demitir pessoalmente. Delegam o ato à terceiros, que por sua vez, o fazem em nome da comida servida nos jantares produzidos por chefes renomados. A corriola mais próxima, no fundo, se vende por comida e alguns trocados. Líderes pobres de espírito preferem a posição narcisista de se acharem timoneiros de um sonho grande, mas no fundo são crianças mimadas que dispensam seus “quebradores de pedra” logo na primeira dificuldade.
O líder malfeitor e egoísta não entende que demitir seus fiéis escudeiros é assinar um atestado de falência e ineficiência de sua própria capacidade de gestão. O líder patético não tem maturidade para sequer descer de seu pedestal e se reorganizar. Prefere manter a aparência do que preservar as pessoas. É a consagração do líder nada essencial à sociedade. Um verme, que a própria vida se encarregará de esmagar, sozinho. O pesudo líder está nú. E ele não é só frontal, é lateral, diagonal. É a nudez da alma, da pobre alma.
Quando seu filho vai mal na escola, você o coloca para adoção?
Livra-se dele?
Se seus funcionários não performam, por que você os demite, então?
Se você está sendo demitido hoje de sua empresa, e tem certeza de que seu líder patético não fez o suficiente para salvá-lo, encare como um presente da vida. Estamos em crise, levará um tempo para se recolocar, mas prefira encarar pelo lado positivo. Você não terá mais que olhar para a cara do(a) líder patético(a). Você se livrou dele(a)! É uma vida nova! Longe de um ser tóxico. Não se esqueça disso.
Quem se livra de seus funcionários já no primeiro suspiro da crise, sem esgotar todas as possibilidades de salvação, violenta seu próprio histórico e respeita muito mais a crise do que a salvação dela. A verdadeira crise é a da incompetência dos líderes. O que o Corona fez, foi apenas acelerar a queda das máscaras dos pseudo chefes. Esses sim, os verdadeiros vírus.
Alberto Roitman, é uma alma livre, autor do livro: Você é o que Você Entrega! e A Última Chance.
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