Há uma grande oportunidade de refletir a verdadeira essência de estarmos aqui. Inclusive (e talvez principalmente), a maneira como lidamos com tudo o que nos cerca. Muitos de nós adotamos um jeito de viver, antes do Corona, que simplesmente representava sobreviver, e não desfrutar a vida.

Talvez, você que está lendo este texto agora, vá se identificar com uma rotina que tenha te acompanhado por muitos anos. Você se levantava, se aprontava para ir ao trabalho, pegava trânsito, trabalhava, almoçava sozinho ou com os amigos, voltava a trabalhar, pegava trânsito, chegava em casa, jantava e dormia. Entre um ou outro destes acontecimentos encaixávamos nossas idas ao médico, nossos cursos, um filme ou série, uma brincadeira com os filhos, ou mesmo os exercícios da academia. E só. Onde isso ia nos levar? Éramos felizes assim?

Pois tudo pode mudar.

A oportunidade que me referi inicialmente diz respeito a entendermos o real sentido da vida. Para os filósofos gregos, tudo o que você deve fazer só terá sentido se lhe gerar felicidade. Não está feliz no trabalho? Saia. Mas e as contas? Pois bem, Segundo Epicuro (341 A.C), você será feliz se tiver a satisfação dos seus desejos e a realização de uma vida simples, ausente de dores e preocupações. Se seu trabalho te dá chateação, então não vale a pena continuar nele. Faz sentido apenas fazer algo que nos dê prazer e não cause sofrimento. Você sofre com seu trabalho? Em caso positivo, peça a conta. Vá ser feliz em outra empresa. Custa muito caro abdicar dos dias de vida sofrendo com a justificativa de ter um emprego para pagar as contas. Melhor um desempregado feliz do que um empregado depressivo.

“A vida é desprovida de sentido. Você dá sentido a ela. O sentido da vida é aquilo que você atribui a ela. Estar vivo é o sentido.”
 Joseph Campbell

A ciência também procura explicar o sentido da vida. Um dos conceitos mais respeitados na comunidade cética é de que o sentido da vida é a fundamentado pelo relacionamento do ser humano com o incrível mundo (Friedrich Tiedemann – 1861). O anatomista e fisiologista alemão nos provoca a pensar sobre a verdadeira essência de nossas vidas. Estamos interagindo o suficiente com o “incrível mundo”? Provavelmente não. Se perguntarmos às pessoas se elas interagem com o “mundo incrível” elas dirão que sim, pelas redes sociais, inclusive. Viajar, ler um ótimo livro, visitar amigos, fazer chamadas telefônicas (sim! ao invés de mandar uma mensagem de texto), sair para jantar e conhecer restaurantes novos, se envolver em confrarias, saraus, comunidades, discussões, é uma forma de dar sentido à vida. Esqueça “ligar o automático”. A ciência está lhe dando um salvo conduto para isso.

O espiritismo traz um convite ainda mais desafiador. Segundo a doutrina, a maior parte dos encarnados procura entender o seu propósito, e muito deste comportamento se materializa na frase: “Qual o real sentido da minha vida?” – Mas ao invés de procurar entender a nossa missão por mera curiosidade, deveríamos adotar um propósito pessoal maior do que nós mesmos, e, como efeito colateral, saberíamos o sentido da vida. A verdadeira sensação de viver a vida é realizar algo maior do que nós mesmos. E isso não significa entregar um super produto bancário, fazer uma campanha publicitária para vender mais, ou um projeto de revisão orçamentária na empresa. O verdadeiro sentido da vida é fazer algo que muitos se beneficiem. Sua vida tem um propósito ousado? Você sente que deixará um legado realmente significativo para as pessoas?

O verdadeiro sentido da vida para o Espiritismo é atingir a perfeição de caráter, e ele nada tem a ver com os indicadores financeiros da sua vida ou qualquer KPI que você alcance na sua empresa.

Por fim, e para balancear as três visões que trouxe anteriormente, trago a visão Existencialista. Segundo um de seus expoentes, Jean-Paul Sartre (1980), o ser humano constrói ou escolhe o sentido da vida, ou seja, temos a liberdade para escolher o que nos convém, de acordo com os sentidos que atribuímos a nós mesmos, incluindo a nossa própria trajetória pessoal. Isso significa que, se você acha que tudo o que faz está bem, então, está bem. Fácil não? Um convite ao acomodados ou uma provocação aos inconformados. E se não tivermos certeza de uma coisa ou de outra, entraremos em uma crise existencial. Um problema recorrente para muita gente. Se você acha que é feliz fazendo o que faz, continue fazendo. Senão mude logo.

Ao meu ver, a quarentena forçada me faz refletir e reforçar o meu sentido de vida, que por sinal, já tinha encontrado. Deixar o mundo melhor do que quando cheguei. E trago aqui duas inspirações que me nutrem todos os dias. Na primeira, um forte trecho do discurso “O Homem na Arena”, proferido na Sorbonne por Theodore Roosevelt, em 23 de abril de 1910:

Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente, que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erros e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente.

E por fim, a fantástica frase de Cora Coralina: Passamos pela vida quebrando pedras e plantando flores. Isso significa que não devemos passar despercebidos. A vida é cara e preciosa demais para achar que o que vivíamos era normal. Ela precisa ser absolutamente anormal para valer a pena. E ela nunca mais será igual.


Alberto Roitman, é uma alma livre, autor do livro: Você é o que Você Entrega! A Última Chance.


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