Desde que comecei a trabalhar (e olha que faz tempo), percebi que as pessoas costumam desvincular a felicidade do ambiente de trabalho. Parece serem coisas incompatíveis. Me lembro de um dia que estava absurdamente feliz. Eu ria, fazia brincadeiras com os colegas, estava radiante. As pessoas ao meu redor, por sua vez, passaram a ficar alegres, também. O clima de trabalho estava incrível, mas não demorou muito para que meu chefe viesse falar comigo:

– Tá muito “felizinho” hoje… pára de dar risada e foca no trabalho.

Não me lembro o porquê estava feliz, mas me lembro da enquadrada que levei por estar contente. Mas por que felicidade não combina com o trabalho?

Trabalhei em bancos e em centenas de empresas como consultor de aprendizagem. E em muitos lugares, quando eu chegava, via que as pessoas desempenhavam um papel naquele teatro corporativo. Todas, sem exceção, pareciam estar preocupadas, focadas, sempre concentradas. A maior parte delas parecia querer transmitir a sensação de que estavam cheios de trabalho, sempre correndo. A produtividade também não combinava com alguém que estava feliz, sorrindo.

E se olharmos os chefes tristes, aqueles que estamos acostumados a encontrar por ai, percebemos que muitos deles têm semblantes parecidos. A maior parte está séria. Muitos, inclusive, adotam a postura do “tenso o tempo todo”. Sim, eles parecem estar em estado de alerta sem parar. Parece ser uma característica constante, inerente ao seu jeito de viver. Vários deles, quando chegam ao trabalho, sequer cumprimentam seus funcionários. Nunca ou quase nunca dão “bom dia”, não olham nos olhos das pessoas.

Vários funcionários, por sua vez, adotam a mesma postura do chefe, e quando chegam, também demostram que estão sem sentimento algum. Não querem transmitir tristeza, ou se estão felizes, preferem esconder o sentimento, com medo de que alguém pense que eles acabaram de voltar de uma entrevista de emprego no concorrente.

A grande verdade é que muita gente prefere esconder a felicidade. Parece que ela não é bem vinda no ambiente de trabalho.

E isso se confirma com outros dogmas que ouvi ao longo de minha vida profissional. Atire a primeira pedra quem nunca ouviu:

Você está aqui pra trabalhar e não pra fazer amigos! Ou mesmo a clássica: Você quer ser feliz ou prefere ter razão?

Uma vez ouvi de uma grande amiga que ela preferia não demonstrar felicidade no trabalho, pois tinha medo de atrair a inveja dos que estavam infelizes. “A felicidade irrita muita gente, sabe?” Dizia ela. E acho que empresas e chefes que são assim, super restritivos e que não estimulam para que o ambiente de trabalho seja feliz, perdem a oportunidade de viver a vida.

Aquele que é triste, vive pra que? Para espalhar mais tristeza?

Já trabalhei em uma empresa onde as pessoas tinham medo. Elas não eram autênticas, falavam baixo, eram monitoradas por câmeras e microfones. O tempo todo tinham a sensação de que poderiam ser demitidas. Tudo era checado, rechecado e assistido, como uma grande demonstração de falta de confiança. As pessoas não podiam ser elas mesmas e seus comportamentos eram ditados. Muitos não pediam pra sair por medo de não conseguirem outro emprego. Assim, ninguém era feliz. O chefe, por sua vez, era odiado por todos (mas os funcionários sorriam na frente dele), e falavam para o mercado que por mais que o local de trabalho fosse lindo, ninguém era feliz ali. Pra que tudo aquilo, então? Ele costumava dizer que quem não estivesse contente poderia ir embora, que ele não ficaria triste. Mais triste do que já era.

Mas já estive em empresas onde o ambiente de trabalho era surreal! As pessoas estavam felizes, falantes, o barulho parecia ser a maior demonstração de alegria. Mas não era um barulho que atrapalhava, era um ambiente vivo, com pessoas vivas! Diferente das empresas onde cadáveres corporativos se amontoavam nas workstations…. o que havia ali era a maior demonstração de capacidade produtiva. O maior sentido de produtividade:

A vida sendo vivida, plena. As pessoas estavam ali deixando um legado. Uma energia que não tinha fim.

Por isso, se você me permite, vou te dar uma dica. Nunca abra mão de trabalhar em um lugar alegre. Nada neste mundo vale mais do que estar perto de um líder que genuinamente sorri. De colegas que sabem que têm defeitos, sabem que precisam melhorar, e não têm medo de pedir ajuda. A Felicidade precisa estar presente todos os dias no que você faz!

E se alguém, um dia, te perguntar se você veio trabalhar ou fazer amigos, encha a boca pra dizer:

Sim! Eu vim aqui fazer amigos, pois com amigos trabalhamos melhor! E se te perguntarem se você prefere ser feliz ou ter razão, responda que alguém que é feliz, sempre tem razão! A felicidade é a razão! A razão de viver.


Alberto Roitman é uma alma livre e absolutamente feliz!


Fonte: Linkedin


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