Não é novidade para ninguém que estamos em meio a uma crise que, além de impactar saúde e sociedade, impactará também drasticamente a economia e as organizações.

Falando com alguns amigos que são líderes de empresas de setores diferentes, de tamanhos diferentes e que se relacionam com públicos diferentes, as preocupações têm sido as mesmas:

O que será de nós se não sairmos dessa em 3 meses?

Por que 3 meses é um prazo crítico? Simples, pois além dos gigantes do mercado nacional (umas 25 empresas) e das grandes multinacionais (mais umas 25), que têm privilégios de atuarem com caixas muito robustos e terem acesso a capital de maneira amplamente facilitada, todos os demais mortais atuam com previsão de caixa de três meses. Ou seja, se é paralisada e deixo de ter geração de receita, o fôlego financeiro da empresa é capaz de suportar 3 meses de operação, se mantidos os patamares atuais de custos.

Portanto, todos estes amigos com os quais conversei, me confidenciaram estar participando de comitês de crise em suas organizações, nos quais os questionamentos para os quais se buscam respostas neste período são óbvios:

  • Como estender o fôlego do caixa?
  • Como gerar receita em um período tão delicado?
  • Quais serão as medidas de curto prazo que precisaremos adotar?

Evidentemente, uma das primeiras coisas a se passarem pelas cabeças de empresários e líderes de negócios, quando se trata de reduzir custos, são as demissões. É nesse momento, em meio aos comitês de crise, que começam a surgir os questionamentos do tipo:

Se precisarmos demitir, quais serão os critérios?
Quanto precisamos “enxugar” do orçamento? E por aí vai…

É claro que esta não é uma decisão fácil, pois empresários e líderes sabem (no geral), o impacto que esta decisão traz, seja para as famílias dos demitidos, para a economia e até mesmo para o time que fica na empresa depois que demissões são anunciadas.

Não vou aqui demonizar essa decisão, em algumas situações, para a manutenção de um negócio e sobrevivência de uma empresa, esse é um mal necessário. Mas essa não pode ser a primeira saída.

Costumo dizer que essa é decisão óbvia, até mesmo brinco, por vezes, dizendo que muitos líderes de negócios têm uma “chavinha” no cérebro que acaba tendo o seguinte funcionamento em situações de crise:

CRISE = CORTAR CUSTOS = DEMISSÕES AGORA

Mas sempre que posso, questiono esse modelo mental. Essa precisa ser a última opção, não a primeira.

Partindo-se do princípio de que o primeiro obstáculo foi vencido, que é entender, dadas as perspectivas de retomada de cada setor, quanto se precisa gerar de economia de custos no mês a mês (pois sem isso é impossível iniciar qualquer conversa racional), o desafio passa a ser entender como conseguir gerar tal economia.

Nesse momento, vejo que muitas empresas erram, ao chamarem para participar dessa discussão um grupo mínimo de líderes, que por vezes já estão muitos distantes do dia a dia da operação, e até por isso um pouco míopes em relação ao como as coisas acontecem na linha de frente.

Os funcionários de qualquer empresa, ainda mais nos tempos em que vivemos, não são tolos e sabem as consequências que um momento como o que vivemos pode gerar.

Daí pergunto:

Você acha que se esse colaborador (que está lá na linha de frente do negócio) soubesse da realidade da empresa e da estratégia de redução de custos, ele não seria capaz de dar ótimas ideias sobre como fazer isso acontecer?

Por que precisamos limitar essa discussão a alguns poucos indivíduos quando temos muito mais gente interessada no sucesso do negócio?

Quando mudamos o nosso jeito de pensar, nosso mindset, podemos realmente nos surpreender com os resultados.

Por isso, ficam aqui algumas sugestões de ações para não demitirmos antes de inovar:

1 – Tenha clareza do real impacto que a crise que vivemos traz para o seu negócio.

Busque falar com clientes, saiba como está a realidade, conheça suas ideias, entenda quando eles voltarão a consumir seus produtos e serviços. Faça projeções, busque entender como estender seu orçamento ao máximo, dadas as suas entradas e saídas previstas.

2 – Envolva o time na busca de soluções.

Leve o problema para as pessoas. Tenha uma comunicação clara e responsável, afinal estamos falando não só do futuro e sucesso da empresa, mas do futuro e sucesso das pessoas que ali estão. Provoque desafios, deixe que as ideias fluam, envolvendo pessoas de todos os níveis da empresa. Faça sessões de ideação, seja para entender como otimizar custos, seja para entender como gerar receita adicional.

3 – Veja se pode desenvolver soluções que gerem valor para seus clientes neste momento de crise.

Você também precisará de seu time para isso…

Vale lembrar que muitos dos produtos que utilizamos hoje, foram invenções de momentos de crise. Relógio de pulso, absorvente íntimo, chá em saquinho, zíper, antibióticos e comida enlatada foram algumas das invenções advindas de grandes crises vividas por nossa sociedade.

4 – Se mantenha otimista e não deixe de inspirar as pessoas por um só segundo. A vontade delas de vencer e fazer acontecer, virá da sua vontade de fazer o mesmo.

Afinal, como já dizia o “velho” Ford:

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Vamos lá! Vamos superar essa juntos! Mas cabeça no lugar e decisões conscientes são fundamentais para o nosso futuro…

Até o próximo…


Anderson Bars é empresário do setor de educação corporativa, atua há mais de 15 anos em projetos de ganho de performance e aprendizagem nos principais ramos da economia. Especialista em Liderança com projetos nacionais e internacionais de transformação do ambiente organizacional. Como palestrante, atua nos principais fóruns nacionais e internacionais dedicados ao desenvolvimento de pessoas. Pesquisador sobre os impactos da transformação digital nos processos de aprendizagem, competências e capital humano, já auxiliou grandes companhias na construção de suas estratégias de reskilling e upskilling de seus times.